Sábado, dia 21 de outubro de 2023 - 1o dia em Addis Ababa

Nosso sorriso é africano!


Cheguei em Addis Ababa, depois uma rápida viagem, que começou em Aracaju às 15:50 da quinta-feira e terminou em Addis às 9:30 do sábado (3:30 hora de Aracaju). 

Fui para o hotel (Denver Boutique hotel) para descansar um pouco. Aqui fica uma dica sobre este hotel: NÃO FIQUE NELE!!!

A língua oficial da Etiópia é o Amárico e quando eu ouvi no avião, com os comissários e pilotos passando instruções, alguns sons das palavras soavam como árabes e outros como grego. Curiosamente, quando vi o alfabeto Amárico ele parece mesmo uma união dos alfabetos grego e árabe, claro que na minha visão semianalfabeta.



Dormi bastante, o suficiente para estragar o sono da noite, juntando com a diferença de fuso horário de 6 horas, e acordei no final da tarde para ir me encontrar com Soyome Alemayehu, uma pessoa que trabalha no terceiro setor, em projetos sociais relacionados à agricultura e mulheres, que uma amiga me apresentou.

Enquanto aguardava o Tabote, um motorista que uma outra amiga, Helen, colocou à minha disposição nos dias em Addis, observei num restaurante ao lado do hotel, bem na entrada do restaurante, um espaço onde um homem estava cortando carnes, tudo isso pude ver porque toda a parte da frente era de vidro. Atrás do sujeito tinham 2 peças inteiras de pernas de cabra. 


Fiquei vendo o homem trabalhar e ele cortava um pedaço de uma das peças e depois colocava numa mesa de pedra, onde começava a cortar em pequenos pedaços, usando 2 espátulas, com enorme habilidade. Ao final ele montava um bolinho com a carne cortada em pedacinhos e uma garçonete pegou para levar a algum cliente. Depois fique sabendo que é um dos pratos principais deles, comer carne crua, junto com molhos apimentados. Ou seja, se levarmos em conta que a humanidade começou na Etiópia, o steak tartare é uma cópia francesa da iguaria etíope.

O Tabote chegou e quem precisar de motorista em Addis pode contar com ele (+251 91 141 5522), super simpático e cuidadoso, cujo sonho é montar uma empresa de comercialização de carros, algo que ele já começou informalmente.

Soyome também chegou e fomos tomar um café numa das unidades do Tomoca Coffee, o café mais famoso de Addis. Fomos na unidade que fica ao lado da Biblioteca Nacional, um prédio moderno que achei lindo, mas não cheguei a visitar internamente, porque já estava fechado. 



O café do Tomoca é realmente muito, muito bom. Foi a segunda vez na vida que tomei café sem açúcar e a primeira em que gostei e deu vontade de repetir.

À noite o Tabote me pegou para irmos ao Restaurante Yod Abyssinia Cultural, que é uma referência local de apresentações musicais e de danças típicas da Etiópia. No começo eu achei a noite ia ser uma merda, porque a decoração do lugar parece uma bicicleta de pedreiro e quase metade do público era chinês, cada um fotografando e filmando tudo com os celulares, sem sequer prestar atenção corretamente ao que está sendo apresentado. Quando um dos cantores da casa começou a cantar uma música em chinês eu pensei que ia infartar de raiva, mas a comida não havia chegado ainda e eu queria experimentar a culinária local, especialmente o pão de Injera, cujo grão só existe na Etiópia.

A cerveja local é boa e Tabote pediu a comida, no caso carne de cabra em pedaços, frito, junto com temperos, uma tijela com 3 tipos de molhos apimentados e o tal de pão de Injera. Bom, se alguém falar que a culinária da Etiópia é muito boa, pode começar a desconfiar do gosto desta pessoa. Achei o sabor do pão horrível e a carne muito gordurosa, mas em compensação todos os chineses resolveram ir embora ao mesmo tempo e aí as coisas começaram a mudar.

Começaram a surgir apresentações bem mais interessantes e o mais legal foi a ver a participação do público local, sendo que alguns sobem no palco para dançar junto, especialmente quando a apresentação tem relação com sua própria tribo e origem. Fique especialmente encantado com um garotinho, que ficou o tempo todo na frente do palco, repetindo os movimentos dos dançarinos, de praticamente todas as expressões, com uma cara de felicidade que ajudou a mudar minha noite.



 

Eu notei algumas pessoas bebendo um líquido amarelo, servido num pequeno jarro de vidro, abaulado, e perguntei a Tabote do que se tratava e ele me disse que era o Tej, uma bebida alcóolica feita à base de mel, sobre a qual já tinha lido a respeito. Decidi experimentar e, menino, eita negócio bom da peste. Depois do café do Tomoca, foi minha segunda experiência gastronômica boa em Addis. O detalhe é que você tem que pegar o jarro de uma maneira específica, com 3 dedos, algo que aprendi logo de cara, provando que meu histórico e experiência com drogas alcóolicas ajuda bastante na curva de aprendizagem, em qualquer nova cultura.



Mas o ponto forte da noite foi quando um grupo de 3 mulheres e 1 homem da tribo Ari subiram no palco para cantar e dançar.



A cantora principal me chamou para subir no palco também, talvez já tendo sentido minha veia de dançarino. Obviamente subi e dancei junto com eles, quase como um nativo, arrancando aplausos e suspiros da plateia. O Tabote gravou um vídeo de parte deste momento, mas são cenas muito fortes, que certamente causarão inveja aos homens e um ardor de desejo nas mulheres, de maneira que acho prudente não divulgar. 

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