Quinta-feira, dia 26 de outubro de 2023 - viagem para Arba Minch
Saímos por volta das 9:00 da manhã para a terceira e última cidade do Vale do Omo, Arba Minch, que é a maior da região e também a capital da província. A viagem total foi bem longa e cansativa, porque boa parte da estrada é de terra, em condições ruins, e a gente tem que parar toda hora por conta de rebanhos e gado ou de cabras.
Veja, não estou falando de 2 ou 3 bois, estou falando de 20 a 30, ou umas 50 cabras, literalmente andando no meio da pista, um rebanho atrás do outro, especialmente nas proximidades das cidades e vilas. Regra geral estes rebanhos são conduzidos por crianças, sempre carregando uma garrafa plástico com um líquido cor bege, que o Malek disse que era algo à base de Sorgo, que servia também de alimentação. Este é um outro problema enfrentado pelo governo da Etiópia, a resistência dos pais em permitir que as crianças vão à escola, porque elas ainda representam uma importante função econômica no sustento das famílias.
Outra coisa que vemos bastante nos acostamentos das estradas são mulheres carregando fardos nas costas, geralmente feixes de madeira, lenha ou algum tipo de folhagem. Estas pessoas andam muitos quilômetros, literalmente curvadas para conseguir suportar tanto peso.
Ao longo da viagem passamos por uma grande planície, que na verdade já foi um gigantesco lago, chamado Chelbii (lago de sal, no idioma Hammar), ou lake Istifanos. O Malek me disse que um ancião lhe contou sobre o lago, algo como há 40 anos atrás, que era imenso. Hoje é uma planície, com alguns rios cruzando a região, mas ainda continua uma área bastante úmida, o que acaba representando uma área fértil.
Fizemos uma parada para visitar a última tribo da viagem, no caso os Arbore, que significa “Terra de Touros”.
Na casa havia uma espécie de sala de entrada, onde estava um rapaz fazendo desenhos de personagens em grafite, e uma entrada menor que dava acesso aos dormitórios e cozinha. Entramos neste espaço por uma passagem e o Dani me mostrou que logo na direita dormiam os homens, à esquerda e com uma elevação feita de madeira, as mulheres, e mais adiante, do lado direito o casal e à esquerda ficava a cozinha. Tudo isso era separada por galhos e palhas, de maneira que podemos considerar um único cômodo, com 4 separações, mas a fumaça da cozinha à lenha contamina todo mundo, de maneira similar às casas das demais tribos. A diferença aqui é que é menos desventilado do que as outras.
Por conta da disponibilidade de água, a região é bastante focada na agricultura, sendo que vi diversas comunidades trabalhando em platôs, ao longo da viagem. Muita plantação de banana, de Sorgo, Tef, tudo isso numa paisagem bem verde, que difere bastante do que havíamos visto até então.
Chegamos ao hotel em Arba Minch por volta das 17hs. Fiquei hospedado no Arba Minch Tourist Hotel, que prometia ser excelente, mas fica bem abaixo do de Turmi. Agora era apenas descansar e me preparar para pegar o vôo de volta, na manhã seguinte, terminando minha preciosa experiência pelo Vale do Omo.
Caso alguém tenha interesse em visitar a região, eu recomendo ficar entre Jinka e Turmi, porque a viagem para Arba Minch é longa e cansativa e o que você conhece acrescenta pouco à viagem, em relação ao esforço empreendido.






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